Empregos

Coluna ValoRH: Formei, e aí? O que me aguarda?

Especialista fala sobre as perspectivas que sucedem o evento

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
Publicada em Atualizada em

Estive na formatura de uma turma de alunos de Administração, no último sábado, e procurei conversar com alguns deles sobre o que estavam fazendo e as perspectivas profissionais. A euforia e o alivio do momento, todavia, não permitia que eles pensassem em outra coisa além de comemorar. Justo. Mas, nos dias que sucederão o evento, sei que alguns de meus ex-alunos, como acontece com qualquer recém formado, farão a seguinte pergunta: me formei, e daí?


Ao sair da solenidade fiquei pensando em meus novos colegas e a atual conjuntura do mercado de trabalho. Gostaria de ter uma pauta mais positiva no dia de hoje mas, o noticiário econômico não tem apresentado um cenário muito otimista para os profissionais que  estão ingressando no mercado neste momento.


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Aqueles que acompanham as discussões que se travam na mídia sobre a proibição e recente divulgação dos resultados da pesquisa da PNAD Contínua do IBGE, já estão cientes do recrudescimento do desemprego. Aliás, a tentativa de proibição da divulgação dos resultados desta pesquisa, por parte do Governo, visava justamente omitir este fato. A metodologia da PNAD Contínua é considerada mais completa, pois não se restringe a algumas regiões metropolitanas, abrangendo todo o país, traçando um quadro mais real da situação. Pelos dados divulgados, a taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2014  alcançou a casa dos 7,4% no país, 9,3% na região nordeste e, entre os jovens de nossa região, chega aos 20%.


Tudo bem, estamos às vésperas da Copa do Mundo e ninguém parece interessado no noticiário econômico. Junte-se a isso o fato de 2014 ser um ano eleitoral e estarmos sendo bombardeados por uma propaganda governamental que nos levar a pensar que o cenário não é tão ruim. Mas, se você não está anestesiado pela euforia coletiva, preste atenção em outros sinais importantes que indicam para o desaquecimento da economia nos próximos meses.


No mesmo período, ou seja, no trimestre que se encerrou em março, a economia cresceu irrisórios 0,2%. Não precisa ser economista para perceber que se trata de uma estagnação. No rastro deste resultado pífio, a projeção de crescimento do PIB brasileiro para este ano recuou de 1,63% para 1,50%, segundo a pesquisa Focus do Banco Central.


O principal fator que mantinha a economia em movimento e assegurava os nossos empregos, que era o consumo das famílias, também registrou resultados ruins, tendo recuado 0,1%. Sem incentivos para a compra de automóveis e eletroeletrônicos, pagando mais caro pelo dinheiro e sofrendo com a volta da inflação, as famílias reduziram os seus gastos. Ato contínuo, a atividade industrial retrocedeu e a indústria entrou em férias coletivas. Nem a Copa do Mundo foi capaz de mudar esse cenário.


O que esses números podem nos dizer? É necessário que puxemos o freio de mão de nossas expectativas profissionais neste momento. Se você está empregado, seja cauteloso e tenha cuidado com mudanças repentinas. Talvez esse não seja o momento. Se ainda não conseguiu uma vaga, acione os seus contatos e busque oportunidades nas áreas menos afetadas por essa crise que se esboça, a exemplo da área de finanças, como alertamos na semana passada.


Sei que o quadro traçado não parece alvissareiro mas é preciso enfrentar a realidade. Voltando aos meus ex-alunos.  Mantenham-se informados e à salvo dessas ameaças, na medida do possível. Acompanhe a nossa coluna, mantenha contato e boa sorte.





Profa. Dra. Carolina Spinola
E-mail: valorh@valorrh.com.br
Consultora da Área de Negócios da ValoRH. Administradora, com mestrado em Administração e Doutorado em Geografia, com ênfase em Desenvolvimento Regional. Professora Universitária e Coordenadora de Curso de Pós-Graduação.


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